domingo, 25 de setembro de 2011

HÁ MUITO TEMPO QUE TE AMO

Uma mulher com expressão de que não está ali. E lá está ela. Sentada no aeroporto, fumando a espera de Léa, sua irmã mais nova, após 15 anos na prisão. Quem diria que aquela mulher de cabelos escuros, olhos fundos e tristes, seria a bela loira de “O Paciente Inglês”, a linda atriz KRISTIN SCOTT THOMAS, que neste filme, no papel de Juliette interpreta divinamente uma mulher misteriosa, não por querer necessariamente esconder o seu passado, pois nota-se logo no início do filme que não há na personalidade de Juliette desculpas ou redenção e sim, quase que um certo orgulho “de dever cumprido”, por ter sido castigada ao assassinar seu único filho de 6 anos, (o que descobrimos no decorrer do filme). O que não é dito pela personagem, nem a própria Léa, é o motivo do crime, afinal Juliette não é má. Preocupa-se com o bem estar de sua irmã e de seu cunhado, é carinhosa com as sobrinhas e demonstra alívio ao conquistar amigos. Qual o motivo de ter cometido tal atrocidade? De volta ao mundo, com a ajuda incondicional de Léa (Elsa Zylberstein), a desconfiança do cunhado, o carinho inocente das sobrinhas e a curiosidade dos amigos da família, Juliette aos poucos vai ganhando seu espaço na vida de todos. Formada em medicina, ela deixa seus medos de lado e busca sua independência. Consegue um emprego num hospital como secretária, e paralelamente vai se ambientando a rotina da cidade e reconstruindo sua vida. Conhece pessoas preconceituosas, mas também pessoas boas e aos poucos conquista o carinho da sobrinha mais velha, e de seu cunhado. Nada disso muda a sua postura misteriosa com relação aos motivos pelos quais ela foi presa. Nem sua irmã consegue convencê-la a livrar-se deste segredo. Léa é professora de literatura e de tão envolvida com o sofrimento da irmã, numa das cenas mais interessantes, ela critica de forma explosiva a postura de seus alunos em relação ao livro CRIME E CASTIGO de Dostoievski. Léa pergunta aos alunos quase aos gritos o que Dostoievski sabia sobre o assunto, mas o espectador sabe por que Léa perde o controle. Ela não suportava mais ver tanta dor, tão de perto, justamente sobre o tema, enquanto seus alunos falavam de algo que não tinham conhecimento real. A atuação das duas atrizes é perfeita, o charme natural de KRISTIN torna-a linda com o passar das cenas, e sua postura misteriosa faz com que o espectador adentre em seu universo sofrido e queira vê-la livre do mistério e dos preconceitos. O filme é Il y a longtemps que je t'aime (Há muito tempo que te amo), de Philippe Claudel.
CRÉDITOS
Título: Il y a longtemps que je t'aime (Há muito tempo que te amo)
Ano: 2008
Direção: Philippe Claudel
Elenco: Kristin Scott Thomas, Elsa Zylberstein, Serge Hazanavicius, Laurent Grévill, Frédéric Pierrot, Lise Ségur, Jean-Claude Arnaud, Claire Johnston, Catherine Hosmalin, Olivier Cruveiller, Souad Mouchrik, Mouss Zouheyri

CURIOSIDADES

O Filme recebeu indicações para o Globo de Ouro de melhor atriz para Kristin Scott Thomas e o de melhor filme estrangeiro, além do Bafta de melhor filme estrangeiro.

KRISTIN SCOTT THOMAS EM “O PACIENTE INGLÊS”

sábado, 17 de setembro de 2011

TOOTSIE

Tootsie,  filme americano, 1982, do gênero COMÉDIA, dirigido por SYDNEY POLLACK.
Desesperado em busca de emprego, Michael Dorsey (Dustin Hoffman), um ator perfeccionista e de temperamento difícil resolve se vestir de mulher para disputar um papel feminino em uma telenovela. O que ele não esperava era obter tanto sucesso com o seu papel. Porém, manter a farsa fica cada dia mais complicado, especialmente porque ele se apaixona por Julie Nichols (Jessica Lange), uma das atrizes da telenovela. Emocionante clássico que revolucionou o gênero da comédia.
Tema: It Might Be You
Interprete: Stephen Bishop
Dustin Hoffman .... Michael Dorsey / Dorothy Michaels
Jessica Lange .... Julie Nichols
Bill Murray .... Jeff Slater
e outros.

Oscar 1983 (EUA)
  • Venceu na categoria de melhor atriz coadjuvante (Jessica Lenge).
  • Recebeu mais nove indicações, nas categorias de melhor filme, melhor diretor, melhor ator (Dustin Hoffman), melhor atriz coadjuvante (Teri Garr), melhor fotografia, melhor edição, melhor canção original (It might be you), melhor som e melhor roteiro original.

BAFTA 1984 (Reino Unido)
  • Venceu nas categoria de melhor ator (Dustin Hoffman) e melhor maquiagem
  • Indicado nas categorias de melhor atriz (Jessica Lange), melhor figurino, melhor direção, melhor filme, melhor canção original, melhor roteiro adaptado e melhor atriz coadjuvante (Teri Garr).

Prêmio Bodil 1983 (Dinamarca)
  • Venceu na categoria de melhor filme não-europeu.

Prêmio César 1984 (França)
  • Indicado na categoria de melhor filme estrangeiro.

Prêmio WGA 1983 (Writers Guild of America, EUA)

OBSERVAÇÕES:
  • Venceu na categoria de melhor comédia escrita diretamente para o cinema.
  • ·  O título Tootsie foi uma sugestão do próprio Dustin Hoffman, pois este era o apelido que sua mãe lhe deu quando ainda era uma criança.
  • ·  Tootsie foi o primeiro filme da atriz Geena Davis.
  • ·  Todas as falas do ator Bill Murray foram improvisadas.
  • ·  Dustin Hoffman precisava fazer a barba quatro vezes ao dia por causa da maquiagem.

sábado, 10 de setembro de 2011

PHILADELPHIA

PHILADELPHIA (Filadélfia), conta a história de um advogado homossexual contaminado pelo vírus HIV, recém-contratado por uma grande firma de advocacia da Filadélfia. Andrew Beckett, foi interpretado brilhantemente por Tom Hanks. Quando os sinais da doença ficaram impossíveis de serem escondidos por ele, a notícia se espalhou na empresa. Andrew foi sabotado e imediatamente despedido por seus chefes, que se revelaram pessoas frias, calculistas e preconceituosas. Determinado a defender a sua dignidade e a sua reputação profissional, Andrew tentou contratar um advogado para que ele pudesse acionar a justiça e processar esses empresários. Após a negação de vários advogados em defender sua causa, numa última esperança, Andrew conseguiu contratar os serviços de Joe Miller (Denzel Washington), um advogado homofóbico, que aceitou levar o seu caso até o tribunal após presenciar, por acaso, uma cena humilhante que ocorreu com Andrew no momento em que os dois estavam numa biblioteca. Com a convivência, Joe percebe que Andrew era uma pessoa normal como ele, muito inteligente, sensível, e de uma coragem admirável. Uma grande amizade e respeito nasceu entre os dois. O caso acabou por se tornar muito noticiado na mídia, e Joe lutou com todas as armas para mostrar a todos que Andrew foi despedido única e exclusivamente pelo fato de ser homossexual e portador do HIV. O filme aborda com muita sensibilidade os terríveis efeitos da AIDS, o preconceito contra os homossexuais ou portadores do vírus; a presença da morte iminente para as pessoas contaminadas por esta terrível doença; o sofrimento dos amigos, amores da família e a solidão. Retrata um tema inevitavelmente polêmico. Sucesso de 1993, o tema continua atual, uma vez que a doença ainda causa os mesmos efeitos na sociedade, as mesmas rejeições e os mesmos mitos. Denzel Washington interpretou muito bem o seu papel, assim como em todos os papéis que ele atua. Para mim, é inconcebível ele não ter sido indicado ao Oscar como melhor ator coadjuvante neste filme. Concordo que foi plenamente merecido os prêmios indicados ao músico Bruce Springsteen na categoria de melhor canção original. Linda canção.


CURIOSIDADES
Tom Hanks perdeu aproximadamente 20 quilos para interpretar o personagem quando ele estava com AIDS em estágio avançado.
Filadélfia foi filmado totalmente na sequência de seu roteiro para que Hanks pudesse perder peso para interpretar Andrew com AIDS num estágio mais avançado.
Segundo o IMDB, 53 atores gays apareceram em várias cenas do filme. No ano seguinte, 43 deles morreram devido a complicações resultantes da AIDS.
O diretor Jonathan Demme queria que pessoas não familiarizadas com a questão da AIDS fossem assistir ao filme. Ele sentiu que Bruce Springsteen ajudaria a trazer tal audiência. Ambos, filme e canção, ajudaram a conscientizar as pessoas sobre o assunto.


ELENCO:
Tom Hanks, Denzel Washington, Antonio Banderas.... e outros.
DIREÇÃO:
Jonathan Demme (de O Silêncio dos Inocentes)
ANO: 1993
PRINCIPAIS PRÊMIOS E INDICAÇÕES
Vencedor do URSO DE PRATA de melhor ator (Tom Hanks)
Indicado ao URSO DE OURO de melhor filme (Jonathan Demme)
OSCAR 1994 (EUA):
Vencedor do prêmio de MELHOR ATOR (Tom Hanks)
Vencedor do prêmio de MELHOR CANÇÃO ORIGINAL (BRUCE SPRINGSTEEN com Streets of Philadelphia)
Indicado ao prêmio de MELHOR MAQUIAGEM (Carl Fullerton e Alan D'Angerio)
Indicado ao prêmio de MELHOR CANÇÃO (Neil Young com Philadelphia)
Indicado ao prêmio de MELHOR ROTEIRO ORIGINAL (Ron Nyswaner)
GLOBO DE OURO 1994 (EUA)
Vencedor do prêmio de melhor ator dramático (Tom Hanks)
Vencedor do prêmio de MELHOR CANÇÃO ORIGINAL (Bruce Springsteen com "Streets of Philadelphia")
Indicado ao prêmio de MELHOR ROTEIRO (Ron Nyswaner)
GRAMMY 1995 (EUA)
Vencedor do prêmio de melhor canção escrita especialmente para um filme (Bruce Springsteen com Streets of Philadelphia)
BAFTA 1995 (Reino Unido)
Indicado ao prêmio de MELHOR ROTEIRO ORIGINAL (Ron Nyswaner)

HALF NELSON

HALF NELSON é um filme americano, lançado em 2007, dirigido por Ryan Fleck.O ponto de partida desse filme é o dualismo. Dan Dunne (Ryan Gosling) é um professor de história em do Brooklyn, branco e drogado, enquanto Drey (Shareeka Epps) é uma aluna negra e na iminência de um envolvimento com o tráfico de drogas. O professor é pego fumando crack no banheiro pela aluna, que ao invés de delatá-lo, o vê em uma realidade muito próxima da sua, o que acaba os aproximando. Dunne é um idealista depressivo que tenta defendê-la desse perigoso mundo do crime que quer atraí-la. Enquanto isso, o professor desobedece ordens da diretora de ensinar sobre os Direitos Civis e ensina sobre Dualismo para os adolescentes. Fatos históricos são eventualmente apresentados pelos alunos ao longo do filme, o que é bastante interessante, Half Nelson é um filme com um engajamento político nas entrelinhas, sem perder o foco da amizade verdadeira entre duas pessoas que são exatamente o oposto um do outro.

CURIOSIDADES:

1 - Essa obra independente, dirigida por Ryan Fleck, levou Ryan Gosling a ser indicado ao Oscar na categoria de melhor ator.


2- Filmado em 16mm, o filme é inteiramente feito com a câmera na mão. A fotografia é cheia de pequenos detalhes, mudanças focais, com as cores trabalhadas num tom desbotado. O diretor mostra, com um olhar talentoso, que está em constante busca pelo melhor modo de se aproximar de seus personagens.

3-Half Nelson é o nome de um golpe do Wrestling em que o atacante derruba seu oponente com apenas um braço. Full Nelson seria o mesmo golpe utilizando os dois braços.

NA NATUREZA SELVAGEM (INTO THE WILD)

Drama Americano de 2007, que conta a história verídica de Christopher McCandless, que se aventura pelos EUA até chegar ao inóspito ALASCA. Em 1990, com 22 anos Chris doa todo o seu dinheiro , muda de identidade e sai em busca de uma experiência genuína que transcende o materialismo do cotidiano. Desconfiado das relações humanas e influenciado pelas leituras, que incluíam Tolstoi e Thorreau, ansiava ao chegar ao ALASCA. Sean Penn, diretor do longa, vai intercalando a viagem com breves Flasbacks do seu passado, narrados em voz Off pela sua irmã. Penn tem olho de cineasta e a sua câmera vai captando melancolicamente, com vagar e gosto, a paisagem americana, ao som das excelentes músicas de EDDIE VEDDER.


OBS 1: Esse foi o primeiro trabalho solo de EDDIE VEDER (Vocalista do PEARL JAM).

OBS 2: MELHOR ATOR: Emile Hirsch; MELHOR ATOR COADJUVANTE: Hal Holbrook; MELHOR ATRIZ COADJUVANTE: Catherine Keener; BEST ORIGINAL SONG: "RISE"; MELHOR DIRETOR: Sean Penn

ELENCO:
WILLIAM HURT; EMILE HIRSCH; MARCIA GAY HARDEN; JENA MALONE; BRIAN DIERKER; CATHERINE KEENE; VINCE VAUGHN; KRISTEN STEWART; HAL HOLBROOK; TRURE LINDHARDT; SIGNE EGHOLM OLSEN; 

MÚSICA:
MICHAEL BROOK WITH KAKL KING and EDDIE VEDDER
ORIGINAL SONG: EDDIE VEDDER

PRODUCED BY: SEAN PENN/ART LINSON/BILL POHLAD
DIRECTED: SEAN PENN